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Orientação aos Pais - << Voltar
Como lidar com o ciúmes entre irmãos
Sabemos de muitas crianças que recebem o desagradável título de "ciumentas da família" e acabam carregando esse fardo por muito tempo na vida sem que tenham a possibilidade de entender o real significado dessa emoção.
O ciúme
não é um defeito, como muitas vezes pode parecer. É,
na verdade, uma emoção difícil de suportar, pois
sentir-se excluído das relações é sempre muito
doloroso. É doloroso invejar o outro, sempre inimitável.
Muito comum também é uma criança ofender outra criança
de quem sente ciúmes. Faz isso porque está sofrendo e quer
que a outra criança, que lhe parece mais feliz, ou mais amada do
que ela, sofra também. Ao mesmo tempo gostaria de ser sua amiga.
Ambivalência típica entre irmãos. O adulto, no entanto,
deveria ter muito mais recursos para suportar essas angústias do
que a criança e ajudá-la a aproveitar essa oportunidade
para aprender com a experiência, para desenvolver o relacionamento
entre todos na família. Infelizmente, não é bem assim
que acontece.
Os pais costumam fazer dos ciúmes entre os filhos um dramalhão mexicano, uma tragédia bíblica como a de Caim e Abel sendo encenada diante de seus olhos. Ficam paralisados, se desesperam. Esquecem que a coisa mais interessante para uma criança é observar seus pais, a forma como os adultos se comportam e agem entre si. Sem que percebam, estão educando seus filhos através de seu próprio comportamento. As experiências vividas na primeira infância, influenciarão de forma marcante a personalidade futura.
Confusão em família
Acontece que
a criança encontra no ciúme um atalho para infernizar a
família inteira com escândalos fora de lugar ou choros exagerados.
É comum até adoecerem nesses momentos. São crianças
que se sentem eternamente injustiçadas. E a mãe se engana
ao tentar fazer tudo para que haja igualdade entre os filhos.
Aos olhos da criança nada é justo se ela não tem
tudo. Se os pais lembrassem que o ciúme é uma emoção
inevitável e necessária para o desenvolvimento psíquico
do ser humano, poderiam acolher de forma mais carinhosa essa comunicação
tão distorcida que pede amor ao mesmo tempo em que expressa uma
dor que não tem sido ouvida ou correspondida.
A "ciumenta" é uma criança muito dependente, que sofre por causa disso. A verdade é que quando uma criança quer chamar a atenção de toda a família, armando a maior confusão até se fazer notar, acaba conseguindo. Provoca o ciúme do irmão ou se queixa de ser provocada, monopoliza e incomoda os adultos que estão ao redor, exatamente para mostrar o quanto se sente a pior das mortais.
Palavra que humaniza
Ao invés da mãe dramatizar ou impor um tom de tragédia na situação, ela deveria colocar palavras nesse sentimento e, consequentemente, humanizar a relação. A raiva nunca resolve nada. Por significar tanto, sofrer o ciúme deveria despertar a compaixão e o amor por parte da mãe.
É fundamental
que os pais saibam que a melhor forma de se fazer amar e respeitar é
pela palavra e não apenas com beijos e carinhos. Encorajando e
colocando em evidência as qualidades da criança, assinalando
as diferenças entre ela e as outras, ajudando-a a se identificar
com ela mesma e não com outra pessoa.
Se traduzirmos este sofrimento através das palavras e acompanharmos
as crianças nessa empreitada, elas não precisarão
mais gritar sua fúria. Serão ouvidas e acolhidas e poderão
levar essa experiência para sua vida futura.
Se falamos em educar crianças, pensamos a longo prazo. Para que uma criança possa estar alegre, sua casa deve ser alegre. Afinal, uma família é concebida em nome de um desejo de se viver feliz em uma casa onde seus membros compartilhem
da alegria de estarem juntos. Do contrário, não vale a pena. Crianças ciumentas geralmente estão entediadas com uma vida empobrecida para sua idade, sem dispor de atividades interessantes ao seu redor. Preferem até uma confusão com o irmão ao nada, à mesmice.
Sensibilidade antes de tudo
A criança se aborrece quando não faz nada de interessante. Quando uma criança passa seu tempo disputando um "lugar ao sol" dentro da família, ela já não desfruta da alegria de conviver, pois está mais preocupada em ganhar a competição.
Mas nem tudo está perdido. A água, por exemplo, é sempre uma grande aliada contra a agressividade contida que não encontra meios de expressão. Que coloquem essa criança na banheira e a deixem se divertir. Uma criança real grita, faz bagunça, se suja, ela está viva.
O importante é entender o que se passa com a mãe quando a criança demonstra simplesmente ser sensível e estar viva, pois pior do que irmãos que brigam enciumados uns dos outros, são mães que arrancam os cabelos por causa deles. Seria mais produtivo se conseguissem transformar a cólera em divertimento, a tragédia em humor, a experiência em aprendizado. Para todos.
Se o ciúme
tem origem na relação com os pais, eles podem ajudar muito
procurando neles mesmos a solução. Um ser humano racional
sente, pensa e fala. Um animal primitivo urra e se debate com ira na luta
pelo amor da mãe. Um amor idealizado repleto de fantasias que nada
tem a ver com a realidade.
Vamos conversar com nossas crianças, vamos ajudá-las a crescerem.